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tentando descrever-me, descobrir-me, defender-me, ou apenas largar palavras soltas, imagens que me despertam algum tipo de sentimento, sensação ou resgatam uma vida de dentro ou fora de mim, criei isso aqui. compartilho com quem quiser dividir-me, degustar-me, desvendar-me.
Questione-me.

E aí você vê que TUDO, tudo na vida são as escolhas que se faz. Ou você faz, ou as fazem por você. Não adianta remoer a vida que não foi. Não adianta olhar para trás e querer se arrepender. Não dá mais tempo. Não dá pra incluir seu nome ou seu rosto ou seu corpo em listas e lembranças de outras pessoas. E você entende que o que pra você foi mais, pode ter sido só como aquele telefonema, que você espera grudada do lado da mesinha de cabeceira e quando finalmente toca, e você atende, é só alguém perguntando por um fulano de quem você nunca nem ouviu falar. Você desliga. E pronto. Passou. No dia seguinte, se te perguntarem você não lembra. Nem do telefonema nem do fulano que estavam procurando. É assim. O ângulo muda tudo. Uma paisagem linda com a configuração errada pode estragar tudo. É só quando você busca toda ansiosa o filme no dia seguinte, procurando aquela foto daquele lugar lindo que te trará tão boas memórias e cheiros e sentimentos e sensações e… que você percebe que a foto não saiu. Mas mesmo olhando praquele borrão, você sabe, e você se lembra, por mais que seja só você, do que passou. E não é pra mais ninguém, e ninguém vai entender. Mas tudo bem. É só aquela sensação do que poderia ter sido, mas não foi. E de saber que o caminho pra chegar até aqui poderia ter sido diferente. E saber que o que não foi te trouxe uma vida como ela É, de fato, tão boa. E que você é tão feliz. Quem tá vivendo a sua vida que poderia ter sido não o faz por mérito, por competição, por nada. Provavelmente ninguém nem sabe estar roubando seu conto de fadas pré fabricado de ilusões. A culpa é nossa, é sempre nossa. Mas passa. Dói, mas passa. Quando você olha a foto, você sabe da paisagem que viu ali. Mesmo que você ouça uma notícia no rádio dizendo que tudo aquilo agora virou uma megacidade de prédios de 30 andares e que nem se parece mais como antes e que nunca, nunca mais você possa ver aquela imagem de novo e se odeie por não ter tirado uma foto que prestasse pra guardar na memória, você se lembra. Seus olhos registraram. Ninguém nunca vai te roubar. E mesmo que estejam ganhando rios de dinheiro e a cidade esteja crescendo, e prosperando e sendo tudo aquilo que sempre disseram que existia potencial para acontecer, no fundo, no fundo, a terra se lembra de quando era só um campo, esquecido, sem futuro, que alguém achou bonito, plantou uma semente e tirou uma foto borrada. A semente pode ter demorado pra crescer, mas vai ser a árvore mais bonita da cidade, mesmo que quem a plantou não reconheça mais aquele lugar e nem se sinta mais a vontade ali. É bom saber que a árvore está lá. Vai sempre estar, assim como a foto borrada e as memórias que ela traz.

  1. louiseboeger posted this
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